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Cinco séculos após Lutero apresentar as teses que tinha para mudanças na Igreja, o mundo continua vivendo sob influência do movimento religioso
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Igreja da cidade, em Wittenberg, Alemanha. Ao longo de sua vida, Lutero pregou mais de dois mil sermões neste local (Foto: Paulo Rios)

No 500º aniversário da Reforma Protestante ganhei a oportunidade de fazer um documentário para a TV Novo Tempo, com o desafio de retratar não apenas a história do movimento religioso, mas de entender quais são as consequências para o mundo, sentidas ainda hoje, decorrentes das mudanças promovidas dentro do ambiente da Igreja, mas que extrapolaram doutrinas eclesiásticas em uma época em que a separação dos poderes não era natural como hoje. A Igreja tinha mais poder sobre a vida das pessoas e ditava a forma de pensar de uma sociedade, e uma mudança do tamanho da Reforma, naturalmente, transformou o modo de viver em diferentes locais do mundo.

A realidade espiritual em casa é um terreno em que a família planta e a igreja colhe
Prioridades

A incoerência espiritual de uma geração afeta todas as demais. Créditos da imagem: Lightstock

Frustração, desânimo, incoerência, apostasia, escândalo e corrupção. A lista negativa poderia ser maior, mas revela apenas a “ponta do iceberg” de uma crise de prioridades que está “engolindo” pessoas, famílias, igrejas e a sociedade como um todo. É um conflito entre intenções que parecem positivas e ações que normalmente são equivocadas.

Esse descompasso entre palavras e atitudes, que deteriora o caráter e o comportamento humano, foi profetizado por Paulo (2Tm 3:1-5) como uma das marcas dos últimos dias. O pior, porém, é quando esse espírito de Laodiceia (Ap 3:15-17) aparece dentro da igreja remanescente, revelando cristãos que são como mortos-vivos. Vivos no exterior, mas mortos no interior. Têm uma aparência que impressiona, mas uma realidade que assusta. Trata-se de um conflito que, se não for interrompido por uma conversão verdadeira, acabará em frustração espiritual, irrelevância moral e apostasia.

A tecnologia digital interfere cada vez mais na vida real. Mas isso não deveria determinar nossos hábitos de adoração
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Créditos da imagem: Lightstock

“Pai, agora não mais precisamos ir à igreja. Aqui em casa é muito melhor.” A frase do filho pequeno surpreendeu os pais, que haviam acabado de sentar-se confortavelmente no sofá da sala. Era sábado pela manhã e a família havia decidido ficar em casa, dormir um pouco mais e assistir a um sermão online ou pela Novo Tempo. Afinal, por que acordar cedo, arrumar-se e ir ao templo, se poderiam acompanhar o culto online, em um horário mais conveniente, com roupas bem informais e até comendo alguma coisa? Os pais caíram em si ao entender a profundidade das palavras de seu filho. No sábado seguinte, contaram essa história à igreja como um alerta sobre algo que parece tão simples, confortável, interessante e inofensivo.