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A vestimenta e a luxúria sexual

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Foto: Vratislav Darmek / Flickr

Recentemente publiquei no meu blog, o Bonita Adventista, a carta de desabafo de um rapaz cristão sobre a vestimenta feminina. O texto era o trecho do livro Worldliness: Resisting the Seduction of a Fallen World (Mundanismo: Resistindo à Sedução de um Mundo Caído), de C.J Mahoney. A sinceridade do jovem foi tão grande que chocou. Afinal, dificilmente alguém permite que seus sentimentos fiquem tão explícitos assim. A maioria dos comentários sobre o post foram incríveis. Fiquei feliz em ver quantas meninas e mulheres (que são meu público principal) perceberam que poderiam se distanciar mais da luxúria sexual falada pelo rapaz. Mas não pude ignorar os comentários que deturparam o desabafo dele ao relevar sua luta, tratando-o como alguém sexualmente doente. Para a maioria das mulheres, o desabafo pode ter parecido fora da realidade porque temos uma mentalidade geralmente diferente. Nossa percepção costuma ser bem distinta da masculina.

Alguns associaram o princípio da decência a uma atitude machista. Vou aproveitar para dizer que promover a decência no vestuário está longe de ser uma atitude a favor da cultura do estupro. Acabei de ler uma matéria sobre o alerta da polícia e da equipe do Facebook a respeito da exposição que os pais fazem dos filhos nas redes sociais. Eles pedem que sejam mais discretos nas publicações que envolvem suas crianças, principalmente por questões de segurança e constrangimentos futuros. Agora eu pergunto: Crianças merecem ser sequestradas? Elas merecem ser vítimas da maldade humana? Jamais. O alerta é feito por conta da realidade do mundo, a qual não podemos ignorar. A exposição exagerada, seja lá do que for, nunca será algo saudável nem seguro. Conhecendo a natureza humana e suas tendências más, Deus promoveu a DISCRIÇÃO.

A decência no vestuário, por exemplo, é um princípio bíblico, e não uma regra inventada por nós ou por qualquer outra pessoa. Não é um plano humano, mas sim um plano divino. “Vistam-se modestamente, com decência e discrição” (I Timóteo 2:9). Por que Deus pediu isto? Provavelmente por muitas razões, além do desejo masculino, assim como fez pedidos específicos para os homens, como amar e proteger as mulheres, assim como Ele amou e protegeu a Igreja a ponto de se entregar por ela (Efésios 5:25).

Os ideais bíblicos quanto à imagem pessoal são universais e, sim, para homens e mulheres. Modéstia, discrição, distinção de gênero e decência — que são alguns deles — devem ser prezados por ambos os sexos. Então, homens de plantão, não achem que é conveniente vocês saírem por aí com uma calça “embalada a vácuo”, por exemplo. E por favor, não usem a vestimenta das mulheres como justificativa para seus atos sexuais. Continuem lutando contra seus pensamentos impuros ainda que ninguém facilite as coisas para vocês.

“Ai do mundo por causa das coisas que fazem tropeçar! É inevitável que tais coisas aconteçam, mas ai daquele por meio de quem elas aconteçam” (Mateus 18:7). Que tal analisar com sinceridade nossa intenção ao nos vestirmos? Não somos tão ingênuos assim. Temos uma noção ampla sobre a impressão que a vestimenta causa e a forma como ela influencia nosso marketing pessoal. Obviamente o mundo não gira em torno do umbigo dos homens e nem do umbigo das mulheres, mas não se permita acreditar que você não tem nada a ver com as lutas dos outros, ou que ninguém tem nada a ver com as suas. Influenciamos a vida de outros indivíduos a cada instante.

Responsabilidade individual, resultados coletivos

Se você procura se isentar disso, pode estar agindo, como bem falou a apresentadora Darleide Alves, da TV Novo Tempo: “Gente, gente… Quem acha que tá tudo liberado e ninguém tem nada a ver com isso, leia Paulo, dizendo: ‘Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos. Ora, pecando assim contra os irmãos, e ferindo a sua fraca consciência, pecais contra Cristo (I Coríntios 8)'”. Quer fazer o que bem quer e ninguém tem nada a ver com isso? Caim disse a mesma coisa. ‘Por acaso sou eu guardador do meu irmão?

Li alguém dizendo que a carta do rapaz cristão sobre a vestimenta feminina sexualizou o corpo da mulher. Acho cômico como mulheres reagem com naturalidade ao apoio da mídia para que se vistam para seduzir, que se maquiem para sensualizar, que sejam magras, que deixem os homens aos seus pés com um belo decote, que fiquem atraentes com um bocão vermelho… Vejo matérias aos montes assim diariamente. Isso sim é sexualizar o corpo feminino! Por que engolimos este tipo de coisa sem nem questionar?

Muita gente achou um exagero a descrição do rapaz sobre a luta contra seus desejos sexuais. Teve quem escreveu que ele era doente por sentir tudo aquilo. Por favor, não menosprezem as batalhas espirituais das pessoas. TODOS nós enfrentamos batalhas, e só quem decide lutar contra sua natureza pecaminosa sabe como é difícil. Até Paulo, que era O cara, vivia uma batalha interior constante e reconhecia o lixo do seu coração: “Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo (…) Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:18 e 24). Davi também reconhecia suas fraquezas: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139:23-24).

Seja na questão da aparência ou em qualquer outra área da vida, você tem feito como Davi? Tem pedido que Deus sonde suas intenções (até mesmo ao se vestir)? Tem pedido que Ele analise seus pensamentos? Já se questionou, inclusive, por que é tão importante para você a exposição de seu corpo? Tem pedido que Deus o convença de suas motivações erradas? Tem pedido que Ele o guie pelo caminho eterno? Lembre-se que “todos os caminhos do homem lhe parecem puros, mas o Senhor avalia o espírito” (Provérbios 16:2).

Colunista: Emanuelle Sales

Fonte: Notícias Adventista

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