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Popularidade e reputação da igreja

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Foto: Shutterstock

“Muitas pessoas que não pertencem a nossa fé estão anelando o próprio auxílio que os cristãos têm o dever de dar. Caso o povo de Deus mostrasse genuíno interesse em seu próximo, muitos seriam alcançados pelas verdades especiais para este tempo. Coisa alguma dará, ou jamais poderá dar reputação à obra, como ajudar o povo indo ao seu encontro onde se acham”. Testemunhos Seletos, volume 2, página 516, Ellen White.

Esse trecho da escritora Ellen White diz respeito ao que efetivamente contribui para estabelecer uma boa reputação para a Igreja Adventista do Sétimo Dia, objeto do assunto dela. Isso me fez pensar acerca de alguns fatos que observo no trabalho comunicacional ao longo do tempo. Válido, diga-se de passagem, não apenas para igrejas, mas para qualquer organização.

Reputação de uma organização ou corporação tem muito a ver, segundo os especialistas, com aquilo que se percebe de uma determinada pessoa ou organização. Os professores José Carlos Thomaz e Eliane Brito, em um artigo na Revista Brasileira de Comunicação Organizacional, afirmam que “a reputação corporativa se desenvolve ao longo do tempo e é resultado de interações repetidas e de experiências acumuladas nos relacionamentos com a organização… considera-se, ainda, que a reputação corporativa emerge e é determinada pelas imagens principais ou percepções de uma empresa, comunicadas rotineiramente pela empresa e percebidas pelos seus vários públicos”.[1]

A forma como uma determinada igreja é vista depende, portanto, do tipo de relacionamento que as pessoas interessadas possuem com ela. Seja em um contato por meio dos perfis nas redes sociais, em uma visita a uma congregação ou mesmo por meio do contato pessoal com um adventista. Essa experiência vai compor a percepção que se tem sobre a igreja e, em última instância, sua reputação.

Nas redes sociais, membros e pastores contribuem, direta ou indiretamente, para tornar essa reputação melhor ou pior. E isso ocorre de acordo com aquilo que postam ou mesmo compartilham. Mesmo que conscientemente os adventistas não queiram, são, em última instância, representantes da marca perante os públicos com os quais ela se relaciona. Podem ser defensores ou detratores.

Seguem algumas dicas:

  1. Coerência de princípios – Uma das coisas mais importantes atualmente para qualquer marca é a coerência. Não adianta dizer que uma empresa é ecologicamente correta enquanto sua forma de produzir, por exemplo, é altamente poluidora. Isso se aplica a organizações religiosas. Falar em amor de Cristo, por meio dos sermões nos púlpitos, e apresentar comportamento diabólico na hora de se manifestar por meio das redes sociais é um paradoxo imperdoável. Quando um cristão adventista, ou de qualquer outra religião, posta algo nas redes sociais deve ter consciência da necessidade de, no mínimo, demonstrar claramente os princípios nos quais afirma acreditar. Quando ele age assim, efetivamente prega o evangelho. Por outro lado, ao agir de forma preconceituosa, desrespeitosa, hostil, condenatória, ríspida, ofensiva ou até agressiva não atrai as pessoas para o evangelho no qual diz acreditar e contribui para arranhar a imagem da sua igreja. Uma das melhores formas de apresentar a mensagem de salvação em Cristo Jesus, as redes sociais parece ser falando bem da Bíblia e Seus ensinos e não mal de outros conceitos, teorias, filosofias e ensinos divergentes com a cosmovisão bíblica.
  2. Respeito primeiro, popularidade depois – Uma pessoa que procura uma congregação adventista geralmente o faz por entender que ali há um ambiente acolhedor, onde se sentirá bem com novos amigos e poderá aprender coisas interessantes para sua vida. E, também, onde poderá contar com uma certa privacidade enquanto frequentadora do local. O desejo humano de ser popular, ou mesmo a empolgação típica de nossos dias no mundo virtual, é compreensível e já constatado. O que ocorre é que, muitas vezes, esse incontido desejo de realizar a primeira postagem sobre determinado fato ocorrido na reunião religiosa pode gerar incômodo para pessoas que só queriam ir a um culto e nada mais. Fotos, vídeos e textos sobre determinadas pessoas que frequentam a Igreja Adventista precisam passar pelo crivo do bom senso, do respeito à imagem do outro e do direito à privacidade.
  3. Crítica pública – Criticar uma organização para que ela corrija seus erros e reordene o caminho a seguir é muito importante. Mas essa crítica pode e deve ser feita da forma correta e no ambiente apropriado. A crítica pública, feita por pastores e membros adventistas nas redes sociais, pode parecer, em um primeiro momento, uma ótima contribuição. Mas, de forma prática, não é. Geralmente esse tipo de crítica alimenta raiva e ódio, fomenta discussões infindáveis entre as pessoas no ambiente virtual e poucas vezes resulta em mudanças na organização.
  4. Perturbação do sossego – Nas redes sociais se tornou comum a existência de seres virtuais dispostos a perturbar o sossego dos outros com constantes anúncios de seus programas religiosos e a insistência de reafirmação dos seus pontos de vista. Muitos chegam a invadir a timeline ou os perfis alheios e os inundam com discursos repetidamente inconvenientes que não agradam. Isso mancha a reputação de igrejas e do evangelho.

Quer ajudar a Igreja Adventista ou qualquer outra organização a ter uma boa reputação? Excelente! Comece sendo um bom usuário de redes sociais virtuais. Pense antes de postar, avalie o tipo de mensagem que você efetivamente quer compartilhar, que alcance isso terá e qual será o objetivo. Pese bem os prós e contras da sua manifestação pública, porque depois que algo é postado ficam apenas as consequências.

[1] BRITO, Eliane Pereira Zamith & THOMAZ, José Carlos. Comunicação Corporativa: contribuição para a reputação das organizações. Organismo – Revista Brasileira de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, ano 4, número 7, 2007

Colunista: Felipe Lemos

Fonte: Notícias Adventista

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